Morocco — Haiti
Quatro a dois no placar. E, no entanto, por quarenta e três minutos, Marrocos parecia uma equipe em apuros. Guarde essa ideia.
Grupo C, Mercedes-Benz Stadium, Atlanta. No papel, um desequilíbrio. No campo, por um primeiro tempo selvagem, tudo menos isso.
Os Leões do Atlas dominaram tudo o que os olhos podiam medir — 69% de posse de bola, 22 chutes, xG de 3.26. Os números dizem que eles mereceram isso. Mas o placar lisonjeia a jornada. Aos dez minutos, o goleiro Yassine Bounou colocou a bola na própria rede, e a multidão silenciou de uma forma que nada tinha a ver com o calor de Atlanta. A formação defensiva de Marrocos, geralmente tão confiável, desmoronou em uma bola parada que eles deveriam ter resolvido dormindo.
O Haiti foi magnífico em suas limitações. Um xG de 0.66 diz que eles estavam defendendo suas vidas — e o fizeram com disciplina e coração. Oito defesas de seu goleiro. O gol de Wilson Isidor aos 43 minutos foi um contra-ataque clínico, avaliado como o melhor jogador da partida pelo lado do Haiti com 7.93. Por um breve momento, 2 a 1 para o Haiti, o impossível cintilou.
Então a qualidade de Marrocos se reafirmou. Achraf Hakimi empatou aos 39, Ismael Saibari fez 2 a 2 bem no intervalo, e a fortaleza começou a rachar. Aos 57 minutos, uma revisão do VAR envolvendo Brahim Díaz foi contra Marrocos — há espaço genuíno para discussão em ambos os sentidos, e não vou fingir o contrário. Soufiane Rahimi marcou aos 78 depois de sair do banco, Gessime Yassine selou a vitória aos 89. Três gols de substitutos em vinte minutos — isso é profundidade de elenco, não sorte.
Onde o Haiti desmoronou: eles simplesmente não conseguiram sustentar a muralha assim que o banco de Marrocos chegou. Três cartões amarelos nos últimos doze minutos dizem que as pernas e a disciplina se foram juntas.
Onde Marrocos foi exposto: defesa de transição. Um gol contra e um contra-ataque sofrido é demais para uma equipe tão dominante na posse de bola. Bilal El Khannouss foi o destaque da noite com 8.6 — um meio-campista que faz o jogo parecer lento quando está com a bola — mas a linha de defesa precisa ser mais afiada se adversários mais difíceis estiverem por vir.
No FootLegion, os gols do seu país vivem para sempre — sem VAR, nenhuma surpresa pode tirá-los.
Agora me diga: o primeiro tempo do Haiti foi a maior surpresa desta Copa do Mundo até agora? E a profundidade do banco de Marrocos pode compensar se os titulares continuarem desligando defensivamente?