Colombia — DR Congo
Guadalajara prendeu a respiração — e o Estadio Akron entregou exatamente o tipo de partida que torna as fases de grupos tão enlouquecedoras. Um placar que parece confortável, enquanto o xG sussurra uma verdade mais complicada.
O paradoxo é real. A Colômbia dominou: 64% de posse de bola, 20 chutes, nove no alvo, 88% de precisão de passe, xG de 1.03. Mais do que suficiente para vencer. E, no entanto, desperdiçaram as duas grandes chances. Ambas. Uma equipe tão fluente na construção de jogadas não tinha por que sofrer até o minuto 76. A execução no terço final simplesmente não correspondeu à elegância de tudo o que veio antes.
James Rodríguez foi o motor do primeiro tempo — orquestrando, encontrando espaços onde outros veem paredes. Mas ele esteve no centro do momento mais debatido da noite: uma revisão do VAR envolvendo-o bem no final do primeiro tempo. O árbitro Maurizio Mariani consultou o monitor, a decisão foi contra a Colômbia. Foi correta? Cada comentarista na sala discordará. O que é certo é que abalou o ânimo, e no minuto 58 James foi substituído — a questão de saber se isso foi causa ou consequência alimentará o debate muito depois desta noite.
A República Democrática do Congo merece crédito genuíno, e isso não é um comentário de consolo. Oito defesas. Oito. Seu xG de 0.39 e zero grandes chances confirmam o domínio da Colômbia, mas um goleiro que faz oito defesas é um time que se recusou a ceder. Sua disciplina defensiva foi real. O problema era estrutural — 75% de precisão de passe, 36% de posse de bola, sem poder de ataque — o que significa que sua resistência era sempre um tempo emprestado.
O gol veio de Daniel Muñoz, o lateral-direito, aos 76 minutos. Nota 8.19, o melhor em campo. Quando os criadores designados ficam em silêncio, um lateral se destaca. Davinson Sánchez (7.93) foi imperioso atrás dele — a solidez defensiva da Colômbia passou despercebida precisamente porque a República Democrática do Congo mal ameaçou, mas os jogos sem sofrer gols não acontecem por acaso.
Alívio mais do que alegria no apito final. Uma vitória que o xG apoia, conquistada por um lateral-direito, em uma noite em que os mágicos falharam.
No FootLegion, os gols do seu país vivem para sempre — nenhum VAR pode tirá-los.
James deveria ter sido protegido por mais tempo, ou a dupla substituição aos 58 minutos foi a decisão certa? E a República Democrática do Congo pode encontrar alguma identidade ofensiva antes de sua próxima partida na fase de grupos?