Portugal — Uzbekistan
Houston já esperava por isso — e Portugal entregou.
Eis o paradoxo da noite: o placar grita 5 a 0, mas o xG de Portugal é de apenas 2.41. A Seleção foi impiedosa, mas também perdulária ao mesmo tempo. Sete grandes chances, cinco desperdiçadas. Contra outro adversário, tanta generosidade custaria caro. Lembrem-se deste fato.
Mas a justiça exige que se reconheça: Portugal jogou magnificamente pelas laterais desde os primeiros minutos. Nuno Mendes — o melhor jogador da noite com uma classificação de 9.33 — foi a arma na ala esquerda. Não foi um lampejo isolado: é assim que ele, repetidamente, desarma a defesa, bombardeando para a frente desde a profundidade, esticando o adversário, encontrando combinações no limite do possível. Bruno Fernandes (8.46) ditou o ritmo com a sua característica energia incansável — constantemente pedia a bola entre as linhas, controlando a posse de bola de 66%, que não mudou nem no primeiro nem no segundo tempo. Rúben Dias (8.19) — a calma exemplar na defesa: o Uzbequistão só fez dois chutes a gol, e a sua organização permitiu que os laterais atacassem sem medo.
Agora, honestamente sobre o Uzbequistão. Eles não foram meros figurantes. Quatro defesas do goleiro, 81% de precisão nos passes — a equipe não capitulou. Eles tentaram construir o jogo, pressionar em momentos específicos. O problema: o seu bloco defensivo não tinha resposta para o movimento de Portugal nas zonas amplas. Onde exatamente o Uzbequistão desmoronou? Nas transições pelas laterais. Cada vez que Portugal recuperava a bola no centro, a mudança para as zonas amplas acontecia mais rápido do que o meio-campo conseguia se reorganizar. A solução — manter-se mais fechado, forçar o adversário a entrar na área, em vez de contorná-la — não foi aplicada de forma consistente. Resultado: xG de 0.25, zero grandes chances.
Cristiano Ronaldo — classificação de 8.11 — ainda está aqui, ainda exige o papel principal. E este é o seu Mundial também.
No campo, o resultado pode ser tirado — no FootLegion, os gols do seu país ninguém tira.
Pergunta nos comentários: a prodigalidade de Portugal na finalização é um sinal de alerta antes dos playoffs? E Nuno Mendes foi hoje o melhor lateral-esquerdo do planeta?