Jordan — Algeria
Há um paradoxo neste confronto do Grupo J no Levi's Stadium — e voltarei a ele, porque o placar final de 1:2 para a Argélia conta apenas metade da história.
Comecemos pelo xG. Argélia: 1.81. Jordânia: 0.65. Os números confirmam o domínio argelino — 72% de posse de bola, 17 remates, 10 cantos, 88% de precisão de passe. As Raposas do Deserto sufocaram a Jordânia com um futebol paciente e preciso. Ramy Bensebaini foi o destaque da noite, com uma classificação de 8.19 — incansável nas suas corridas pela esquerda, criando perigo cedo e tarde. Ahmed Nadhir Benbouali aterrorizou o lado direito da Jordânia ao seu lado. Riyad Mahrez, mesmo sem os seus momentos mais explosivos, continuava a desorganizar os defesas apenas ao receber a bola — uma característica que o definiu em todos os níveis do jogo.
E, no entanto. A Jordânia liderava por 1:0 ao intervalo.
Esse é o paradoxo. A Argélia teve 74% da posse de bola no primeiro tempo e não conseguiu converter. A Jordânia, a defender profundamente e ocasionalmente desesperada, encontrou a rede contra a corrente do jogo. Uma grande oportunidade — aproveitada. Essa é uma equipa a defender a sua vida no torneio e a aproveitar o seu único momento.
O segundo tempo foi uma correção que o xG exigia desde o início. A Argélia encontrou os seus golos e virou o jogo. Mas eles devem ser honestos: três grandes oportunidades criadas, duas perdidas. Esse desperdício contra adversários mais fortes vai doer. A tomada de decisões no terço final foi muito lenta, a finalização muito casual quando a porta estava aberta.
O problema da Jordânia era estrutural. Defender com 28% de posse de bola exige uma execução quase perfeita durante noventa minutos — e eles não conseguiram manter. Onze faltas, constante scrambling, seis defesas de um guarda-redes que foi verdadeiramente heroico. Um xG de 0.65 diz que a Jordânia estava sempre a pedir tempo emprestado. O empréstimo venceu após o intervalo.
O resultado é justo. O placar lisonjeia ligeiramente a Jordânia — eles contaram com a sorte e o desperdício da Argélia no primeiro tempo antes que a maré virasse. Os três pontos para as Raposas do Deserto são merecidos, mas as grandes oportunidades perdidas são um problema que deve ser resolvido nas fases a eliminar.
Duas perguntas para os comentários: a vantagem da Jordânia ao intervalo foi o maior "smash-and-grab" deste Campeonato do Mundo até agora? E a Argélia pode realmente lutar pelo título se a sua conversão de grandes oportunidades continuar tão fraca?
No campo, uma vantagem pode sempre ser-lhe retirada — no FootLegion, os golos da sua nação são seus para sempre.