Brazil — Japan
A verdade sobre o Brasil na Copa do Mundo é a seguinte: o roteiro sempre promete samba, mas a realidade geralmente entrega algo mais caótico. Esta noite, no NRG Stadium, em Houston, o gol de Gabriel Martinelli aos 90 minutos finalmente selou a vitória do Brasil por 2 a 1 sobre o Japão nas oitavas de final – e o número que assombrará o time brasileiro é este: xG 1.72 contra 0.23. Uma diferença tão grande não deveria resultar em um jogo tão apertado. No entanto, aqui estamos nós.
O problema do Brasil no primeiro tempo estava à vista de todos. Sessenta e oito por cento de posse de bola, 92 por cento de precisão nos passes – e o Japão foi para o intervalo na frente. Kaishu Sano, o mesmo jogador que recebeu um cartão aos 12 minutos, cravou a faca aos 29, punindo uma única falha na linha defensiva do Brasil. O Japão não criou nada que se assemelhasse a uma grande chance durante a noite, mas precisou apenas de um momento de desconcentração brasileira para marcar.
Casemiro restabeleceu a igualdade aos 56 minutos, chegando à área com a autoridade de quem já fez essa corrida mil vezes. Mas duas grandes chances perdidas de quatro mantiveram a tensão viva até que Martinelli resolvesse a partida nos acréscimos. O placar finalmente refletiu o domínio do Brasil – apenas 45 minutos depois do que deveria.
O Japão merece um crédito enorme. Treze faltas, jogadores em todos os corredores, quatro defesas do goleiro. A estrutura defensiva foi corajosa e disciplinada. A fraqueza era óbvia: zero grandes chances, 31 por cento de posse de bola – a sobrevivência sempre foi o plano, e por 89 minutos ele se manteve.
Para o Brasil, a questão não foi qualidade, mas ritmo. Vinícius Júnior ameaçou constantemente, mas muitas vezes isolado. O time sabia como construir; eles esqueceram como acelerar até que o relógio os forçasse. Marquinhos e Gabriel Magalhães foram as âncoras silenciosas da noite, obtendo as melhores avaliações defensivas da partida e mantendo o Brasil à tona após o golpe de Sano.
No campo, um resultado pode sempre ser arrancado no último segundo – no FootLegion, os gols do seu país vivem para sempre, e ninguém os tira.
Agora, a palavra é sua: essa atuação do Brasil realmente te preocupa à medida que o torneio avança? E seja honesto – o Japão estava a um momento de calma de uma das maiores zebras da Copa do Mundo?